Portuguese poem
Dinheiro
by João de Deus
O dinheiro é tão bonito, Tão bonito, o maganão! Tem tanta graça o maldito, Tem tanto chiste o ladrão! O fallar, falla d'um modo... Todo elle, aquelle todo... E ellas acham-no tão guapo... Velhinha ou moça que veja, Por mais esquiva que seja, Tlim! Papo.
E a cegueira da justiça Como elle a tira n'um ai! E sem pegar n'uma pinça; É só dizer-lhe: ahi vai... Operação melindrosa Que não é lá qualquer coisa; Catarata! tome conta: Pois não faz mais do que isto, Diz-me um juiz que o tem visto: Tlim! Prompta.
N'essas especies de exames Que a gente faz em rapaz, São milagres aos enxames O que aquelle diabo faz. Sem saber nem patavina De grammatica latina, Quer-se a gente d'alli fóra? Vai elle com taes fallinhas, Taes gaifonas, taes coisinhas... Tlim! Ora...
Aquella physionomia E labia que o diabo tem!
Mas n'uma secretaria Ahi é que é vêl-o bem! Quando elle, de grande gala, Entra o ministro na sala, Aproveita a occasião: Conhece este amigo antigo? --Oh meu tão antigo amigo! (Tlim!) Pois não!
Coimbra.
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