Versos Portuguese João de Deus Duvida

Portuguese poem

Duvida

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Amas-me a mim! Perdôa; É impossivel! Não, Não ha quem se condôa Da minha solidão.

Como podia eu, triste, Ah! inspirar-te amor, Um dia que me viste, Se é que me viste... flôr!

Tu, bella, fresca e linda Como a aurora, ou mais Do que a aurora ainda, Mal ouves os meus ais!

Mal ouves porque as aves Só soltam de manhã Seus canticos suaves; E tu és sua irmã!

De noite apenas trina O triste rouxinol: Toda a mais ave inclina O collo ao pôr do sol.

Porquê? porque é ditosa! Porquê? porque é feliz! E a que sorri a rosa? Ao mesmo a que sorris!

Á luz doirada e pura Do astro creador. Á noite, não, que é escura, Causa-lhe a ella horror.

Ora uma nuvem negra, Uma pesada cruz, Uma alma que se alegra Só quando vê a luz

De que elle, o sol, inunda O mar, quando se põe! Imagem moribunda D'um coração... que foi!

Uma alma semelhante Não póde captivar Um rosto tão galante, Um tão galante olhar!

E eu vi os caracteres Que a tua mão traçou: Mas vós... ah! vós, mulheres, Quem já vos decifrou!

Mal te sustinha o pulso A delicada mão! Sentia-te convulso Bater o coração!

Via-te arfar o seio... Corar... mudar de côr... E embora, ah! não, não creio... Tu não me tens amor!

Portimão.

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