Versos Portuguese João de Deus Enlevo

Portuguese poem

Enlevo

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Não brilha o sol, Nem póde a lua Brilhar na sua Presença d'ella!.. Nenhuma estrella Brilha deante Da minha amante, Da minha amada!

A madrugada Quanto não perde! O campo verde Quanto esmorece! Quanto parece A voz da ave Menos suave Que a sua falla!

A flôr exhala Menos perfume Do que é costume O seu cabello! Que basta vêl-o, Prende-se a gente! Prende-se e sente Gosto ineffavel!

Que riso affavel Aquelle riso! Que paraíso Aquella bôca! Penetra, toca, Enche de inveja Um ar que seja Da sua graça!

Onde ella passa, Onde ella chega, Quem lhe não prega Olhos avaros! Ha dotes raros, Rara doçura N'aquella pura Casta existencia!

Oh! que innocencia Que ella respira! A alma aspira Não sei que aroma Mal nos assoma Ao longe aquella Pallida estrella, Que rege o mundo!...

Nunca do fundo Do oceano Foi braço humano Colher tão linda Perola ainda, Como a formosa Candida rosa Que eu amo tanto!

Não sei de santo Que ha no seu gesto! No ar modesto D'aquelle todo... N'aquelle modo... Que tudo esquece, E nos parece Estar no céo!