Portuguese poem
Descalça!
by João de Deus
Quem és, que ao vêr-te o coração suspira, E em puro amor desfaz-se! Raio crepuscular do sol que nasce, De lampada que expira!
Como os teus pés são lindos! como é dôce A curva do teu peito! Oh! se o meu coração fosse o teu leito, E o teu amado eu fosse!
Que preciosas perolas descobre Teu meigo humido labio! E, virgem! como Deus foi justo e sabio Em te fazer tão pobre!
Não tens fofo velludo onde se atole Tua angelica imagem; Mas quando é bello o céo, bella a paizagem E quando é bello o sol?
Limpo de nuvens, nú, derrete a neve E a aguia até desmaia. Tu não tens mais do que uma pobre saia, E essa, curtinha e leve.
Onde o corpo te alteia, a saia avulta; Onde te abaixa, desce... És como a rosa! A rosa nasce e cresce, Não para estar occulta.
O que te falta pois? os teus desejos Quaes são? de que precisas? Ah! não ser eu o marmore que pisas... Calçava-te de beijos!
Coimbra.
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