Portuguese poem
Rosas
by João de Deus
Trazeis-me rosas; d'onde as heis trazido, Boa velhinha e minha boa amiga? Rosas no inverno! permitti que o diga, Sois feiticeira: d'onde as heis colhido?
Na primavera de meus annos, ólho, Mas vejo abrolhos e não vejo flôres: E vós colhêl-as, como as eu não colho... Sois feiticeira--enfeitiçaes d'amores.
Enfeitiçaes que a formosura, crêde, Não vem da face avelludada e bella; A formosura vem só d'alma; é d'ella Que brota a fonte que nos mata a sêde.
Vós sois velhinha, já não tendes côres Que o rosto animem e que os olhos prendam, Mas tendes prendas que o amor accendam, Tendes ainda no inverno... flôres.
Evora.
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