Portuguese poem
Uma noite de Natal
by José da Silva Maia Ferreira (1827–1881)
Ó Templo Sacrosanto! inspirae-me, Em novos carmes, suave — grato incenso, Para do mundo ao nado Redemptor, Hymnos de gloria, em sublimes versos, Pulsando a lyra, ufano offerecer! Mais um canto piedoso agora entôe Quem máguas de Christão no peito sente, E que ante ti, ó Deus tão poderoso, Curvado, humilde implora de seus erros A vénia tua, ó Lume alvinitente De principio uno e trino egregia próle!
Tange, tange, ó campanario, O teu tanger festival, Que é hoje dia sagrado Dia do Santo Natal.
Como correm pressurosos Velhos, moços e meninos
Ao teu Templo Sacrosanto Entoando doces hymnos. Como brilhantes se adoram Moças, bellas e garridas Para no Templo rezarem As rezas d’alma nascidas.
Neste recinto sagrado Já vozes harmoniosas Doces soam maviosas Em um cantico inspirado.
É um psalmo repetido Por cem boccas fervorosas, Com off’rendas piedosas A seu Deus — Homem nascido.
A esse Deus encarnado Concebido em Nazareth; Promettido á nossa Fé Por nosso Deus mui sagrado.
O misterio abracemos Da melhor das prophecias; Já é nado o grão Messias, Hymnos de gloria entoemos.
Tange, tange, ó campanario O teu tanger festival, Que é hoje dia sagrado, Dia do Santo Natal.
E a par d’hymnos sacros, que aos Céos s’elevavam, O orgão na Igreja seu canto esparzia: De Christo os Fieis suas preces oravam, Clamando — Jesus! — Virgem Santa Maria! —
Depois longas trevas o Templo innundando Com grave silencio, após tanto folgar, Se via um mancebo piedoso rezando Aos pés d’uma Cruz, que brilhava no altar.
Um Bardo esse era, vibrando na lyra, Na lyra saudosa ignota oração De su’alma emanada, que doce respira Effluvios d’amor, de sagrada paixão.