Portuguese poem
Arte Suprema
by Júlio César da Silva (1872–1936)
Tal como Pigmalião, a minha idéia Visto na pedra, talho-a, domo-a, bato-a; E ante os meus olhos e a vaidade fátua Surge, formosa e nua, Galatéia
Mais um retoque, uns golpes... e remato-a; Digo-lhe: "Fala!" ao ver em cada veia Sangue rubro, que a cora e aformoseia... E a estátua não falou, porque era estátua.
Bem haja o verso, em cuja enorme escala Falam todas as vozes do universo E ao qual também arte nenhuma iguala.
Quer mesquinho e sem cor, quer amplo e térso Em vão não é que eu digo ao verso: "Fala!" E ele fala-me sempre, porque é verso.