Portuguese poem
Soneto
by Júlio César da Silva (1872–1936)
Quando me chego a ti, por mais que faça Por domar dentro em mim este alvoroço, Sinto que sou, sem reino e embora moço, O rei de Thule, e tu, a minha taça.
Dos teus lábios ninguém hoje devassa O fundo senão eu; e, enquanto posso, No mel que eles contêm os meus adoço... Mas, por fim, tudo cansa e tudo passa.
Não poder, como o rei, no fim da vida, Ante os meus cortesãos, jograis e sábios, Lançar-te ao mar também, taça querida,
Para que ninguém mais sinta os ressábios Dessa bebida por mim só bebida Bela taça vermelha dos teus lábios!