Versos Portuguese Júlio César da Silva LVII

Portuguese poem

LVII

by (1872–1936)

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Cultivas uma amiga, certamente, Para que as tuas confidências ouça, E andas por toda parte ao lado dela; Embora amiga, embora confidente, Nunca a percas de vista, se for moça, E não lhe creias muito, se for bela.

Observa, sempre atenta e a cada instante, As mais leves minúcias do seu gesto; Tudo o que ela fizer olha e investiga, Porque, sem que o percebas, teu amante Goza, às ocultas, um sabor de incesto No desejo que tem por tua amiga...