Versos Portuguese Leandro Gomes de Barros O Homem que Subiu em Aeroplano até a Lua

Portuguese poem

O Homem que Subiu em Aeroplano até a Lua

by (1865–1918)

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No tempo de Babylonia há muitos anos atraz um homem todo gigante falou um dia aos seus pais que tinha grande vontade, de correr a imensidade. nem que não voltasse mais.

Baratão era o seu nome pela historia conhecido, era um grande aventureiro por todo mundo corrido de nada tinha receio p'ra tudo ele achava meio, nunca ficou entupido.

Ele tinha um oficina por ser muito bem montada, fazia tudo no mundo cada maquina enrascada !... ficava o povo tão besta vendo toda aquela festa, da oficina afamada !

O boeiro da oficina era grosso e tão comprido como a torre de Babel de ferro só construido o motor era um danado corria tão apressado, que só se ouvia o zunido,

Essa oficina fazia espada, lanças, couraças cada um cantão pavoroso que tinha mais de cem braças, um tiro desse canhão derrubava um batalhão, nem que tivesse mil praças.

Uma vez foi Baratão aos engenheiros e disse, que inventassem um motor que até á lua subisse : gritou a todos zangado que o motor fosse inventado, nem que a cachola partisse.

Dentro de um mez inventou-se o motor de Baratão, depois de tudo arranjado serviu de admiração tinha as azas p'ra subir e não podia cair pois era forte a armação,

Era uma cousa horrorosa a tal maquina inventada, uma legua de comprida ! depois que ficou armada todo mundo veio ver apenas para conhecer a maravilha falada.

O motor tinha uma casa de aço toda fornida, p'ra mais de mil corrupios todos de prata batida tudo era fino e custoso num salão bem espaçoso, havia agua e comida

Tinha força p'ra levar todo o povo da cidade, foi muito bem construido movido á eletricidade corria só pensamento se faltasse mesmo o vento voava sempre a vontade.

Baratão se despediu de todo o povo e dizia, que dentro de uma semana lá na lua chegaria toda gente duvidava e que ele nunca chegava, mangando dele sorria.

Baratão vestiu-se todo de um roupão de aço feito, mandou ver se o motor estava firme e direito e disse ao maquinista : —apronte tudo, se vista veja se isto tem geito.

Daí a pouco a sinêta deu sinal para subir, o maquinista e o pilôto sabiam bem dirigir o povo estava ansiôso e o bicho misteriôso, começava a se bulir.

Baratão mandou largar e logo o bruto roncando, lá se vai pelas alturas já pelas nuvens passando o povo besta ficou e muito tempo passou, de Baratão se falando.

Já faziam oito dias que o aeroplano voava, estava perto da lua e pouco tempo gastava Baratão já estava mole de tanto soprar no fole. para ver se assim respirava.

De repente um barulhão no aeroplano se ouviu, era uma aza do bruto que a manivela partiu mas o pilôto depressa fez o concerto na peça, o aeroplano seguiu.

Baratão chegou na lua a meia noite em ponto sem dormir oito dias já estava fraco e tonto foi dormir um bocadinho para de manhã cêdinho, está dispôsto e bem pronto.

Quando foi de manhãsinha eles não se levantaram, era um somno tão pesado que nem na lua pensaram os habitantes de lua quando sairam para a rua, muito espantados ficaram.

Todo povo se juntou para ver aquele troço, jogavam pedras, batiam fazendo grande alvoroço que o pessoal do motor levantou-se com terror, vendo aquele catrapoço.

Baratão e o pessoal nem sabiam a onde estavam, era um sono tão damnado nem do motor atinavam foram a porta e abriram e os habitantes que viram, no motor todos entravam

Imagine que chafurdo fiseram com Baratão !. . . o pessoal do motor correu tudo em camisão quando viu que esta gente em gritalhada estridente, carregava um páu na mão,

Baratão gritou a todos que fossem logo se armar, que os habitantes da lua queriam lhe devorar ficou tudo bem armado, cada um com seu machado, foi toda gente esperar.

Daí há pouco foi sangue que fez lagôa no chão, os habitantes da lua lutavam sem coração mas tinha um mêdo damnado, do pessoal do machado, armado por Baratão.

O piloto e o maqninista com a cabeça lascada, cairam logo sem sentidos depois da guerra serrada só restava o capitão ajudando Baratão, numa coragem danada.

Com duas horas depois o capitão cambaleia, caindo morto no chão mas Baratão não receia de muita força no braço fazia tudo em pedaço, puma luta horrenda e feia.

Findou-se a luta de noite Baratão é vencedor, mais o povo enraivecido arrebentou o motor Baratão de tão cançado caiu no chão desmaiado, a gemer com muita dor.

Baratão quando tornou ficou muito aperriado, vendo o seu aeroplano lá no canto esbandalhado e de tanto imaginar como havia de voltar, ficou quase amalucado.

Estava tudo deserto não se ouvia um ruido, Baratão se decidiu depois de ter refletido de sair deste lugar pôz-se logo a caminhar, quass mole e mal comido.

Depois de longa viagem sem parar um só instante, Baratão foi dar em frente de um palacête importante morava aí um Sultão celebrava-se um festão, o aniversario de Amante.

Amante era uma princesa unica filha real! era tão linda e tão alva que parecia um cristal com quinze anos somente seduziu toda gente, com seu riso sem igual.

Baratão se decidiu a entrar no palacête, p'ra poder ter a licença se apresentou ao cadeta que o batalhão comandava, e o pelotão que formava, era armado de cacête.

O cadête subiu logo para o Sultão avisar, qua gente de outra nação desejava lhe falar o Sultão admirou-se e disse fosse quem fosse, ordenasse para entrar.

Baratão todo garboso com sua farda encarnada, com firmeza e rapidez atravessou a escada a princesa quando o viu muita alegria sentiu, e ficou apaixonada.

Baratão entrou na sala onde estava o gran-Sultão, tocou a banda de musica houve grande animação foram para a mesa e jantaram os dois então discursaram, na maior satisfação.

Baratão a todos disse que da terra era habitante, na lua veio parar num motor grande e possante que o povo bravo quebrou sem poder voltar ficou, pelas montanhas errante.

Ficaram todos surpresos sem nem poderem falar, e pensaram ser mentira que ele acabou de contar Baratão quando provou com papeis que lhe mostrou, não quizeram duvidar.

O Sultão ofereceu um quarto p'ra Baratão, uma cama prateada com um macio colchão tudo que ele precisava roupas finas ele encontrava e mais criado a prontidão.

Tanto dias se passassem como o Sultão se alegrava, mas cuntente e jovial do que ele, Amante estava pois no jardim todo dia mas o Sultão não sabia, com Baratão coversava.

O Sultão todos os dias saia p'ra passeiar, com Baratão pelos campos para tudo lhe mostrar mas o nosso Baratão prestava pouca atenção, só na princesa a pensar.

Toda familia real Gostava de Baratão, por saber que ele era um homem de educação fazia todo aparato dispensando todo trato, merecido com razão.

Baratão ficava triste porque amava a princesa e não podia falar-lhe assim com tanta afoiteza suspeitava que o Sultão lhe negasse a sua mão, por não ser da realeza.

Mas a princesa lhe disse: —não te vexes Baratão pois há um dia no ano, que meu pai faz concessão não nega nada a ninguem até os presos tambem ele concede o perdão.

É o dia de seus anos esse dia venturoso, daqui mais a na quatro meses fique certo e esperançoso se minha mão for pedida, ela será concedida, e tú serás meu espôso.

Baratão ficou contente e começou a esperar, esse dia desejado que ele havia de dar a mão da linda princesa e assim com toda certeza na realeza ia entrar.

Era, uma vida risonha que Baratão dissipava, embora fosse escondido mas com Amante falava ela de noite ia a varanda e ele fóra de outra banda, a noite inteira prosava.

Chegando os dias dos anos dos festejos do Sultão, para fazer o seu pedido estava pronto o Baratão numa sala reservada o Sultão fez a chamada, p'ra quem quizer concessão.

Baratão pediu licença ao Sultão para falar, um importante negocio tinha com ele a tratar o Sultão mandou que chegasse, p'ra bem perto e se sentasse, Baratão poz-se a narrar.

-— Gran-Sultão venho pedir com respeito e seatamento sem temer ser recusado vossa filha em casamento há muito eu amo a princesa p'ra ela não é surpreza este meu sublime intento.

O Sultão muito contenta concedeu-lhe este pedido, chamou logo a sua esposa para saber do ocorrido do casamento de Amante ficou tudo num instante, acertado e resolvido.

Quando Amante soube disso de alegria desmaiou, nesse dia foi um fravo e todo e povo dançou foi banquêtes mais banquêtes buscapé, bomba foguêtes, toda a côrte se formou.

Foi uma festa tão grande se dançando e se bebendo, com seis dias e seis noites o povo foi enfraquecendo pegou num somno damnado acordou-se empazinado, foi um andaço tremendo.

O casamento de Amante era daí a um mez, Baratão que estava alegre alegrou-se de uma vez pois esperava uma herança da toda aquela papança, só de casar trinta e seis.

Um capital de mil contos já por mez ia render, estou rico desta vez— começou ele a dizer— um reinado p'ra mandar riqueza para gozar, que vidão eu hei de ter !

Chegou os dias das bôdas de Amante e Baratão, se no pedido houve festa agora sim com razão bolos finos e cerveja, em bandeja e mais bandeja, haja bomba e foguetão.

O povo já não sabia como havia de brincar, de beber e de comer como havia de dançar fez-se um bougquêt para os noivos, de cravos, lírios e goivos, quando foram se casar.

Uma enorme carruagem dois mil carros enfeitados, os arreios dos cavalos eram todos prateados as egrejas repicavam e todos flôres jogavam, sobre os noivos aclamados,

Houve festa p'ra dois mezes no reinado do Sultão, tres mil contos se gastou com Amante e Baratão fazia gosto se ver tanta bebida e comer, do povo a disposição.

Saiu depois Baratão p'ra seu novo palacête, o povo todo esperou com girandólas e foguete foi outro frevo arrojado onde lhe foi preparado, um rico e lauto banquete.

Baratão mais sua Amante hoje vivem calmamente embora já bem velhinhos não tendo mais nem um dente mas como tem um licôr que dá-lhe todo vigor, viverão eternamente.

Quem duvidar dessa historia vá na lua perguntar, só assim por este meio pode se certificar se isso foi certo ou não a familia de Baratão,

vive ali para provar.

T.VIII