Portuguese poem
Outro
Deo, Senhora, por sentença Amor, que fosseis doente, Para fazerdes á gente Doce e formosa a doença.
Voltas.
Não sabendo Amor curar, Foi a doença fazer Formosa para se ver, Doce para se passar. Então vendo a differença Que ha de vós a toda a gente, Mandou, que fôsseis doente, Para glória da doença.
E digo-vos de verdade, Que a saude anda invejosa, Por ver estar tão formosa Em vós essa enfermidade. Não façais logo detença, Senhora, em estar doente, Porque adoecerá a gente, Com desejos da doença.
Qu'eu por ter, formosa Dama, A doença, qu'em vós vejo, Vos confesso, que desejo De cahir comvosco em cama. Se consentis, que me vença Deste mal, não houve gente Da saude tão contente, Como eu serei da doença.
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