Portuguese poem
Outro Seu
D'alma, e de quanto tiver, Quero que me despojeis, Com tanto, que me deixeis Os olhos para vos ver.
Volta.
Cousa este corpo não tem, Que ja não tenhais rendida: Despois de tirar-lhe a vida, Tirae-lhe a morte tambem. Se mais tenho que perder, Mais quero que me leveis, Com tanto que me deixeis Os olhos para vos ver.
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MOTE ALHEIO.
Amores de huma casada, Que eu vi pelo meu mal.
Voltas.
N'huma casada fui pôr Os olhos, de si senhores: Cuidei que fossem amores, Elles fizerão-se amor. Faz-se o desejo maior Donde o remedio não val, Em perigo de meu mal.
Não me paraceo que Amor Pudesse tanto comigo, Que donde entra por amigo, Se levante por senhor. Leva-me de dor em dor, E de final em final, Cada vez para mor mal.
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