Versos Portuguese Luís de Camões Outro Alheio

Portuguese poem

Outro Alheio

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A dor que a minha alma sente, Não na sabe toda a gente.

Voltas.

Qu'estranho caso de Amor! Que desejado tormento! Que venho a ser avarento Das dores de minha dor! Por me não tratar peor, Se se sabe, ou se se sente, Não na digo a toda a gente.

Minha dor e causa della De ninguem ouso fiar; Que sería aventurar A perder-me, ou a perdella. E pois só com padecella, A minha alma está contente, Não quero que o saiba a gente.

Ande no peito escondida, Dentro n'alma sepultada; De mi só seja chorada, De ninguem seja sentida. Ou me mate, ou me dê vida, Ou viva triste ou contente, Não ma saiba toda a gente.

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