Versos Portuguese Luís Delfino Mãos de Lady Macbeth

Portuguese poem

Mãos de Lady Macbeth

by (1834–1910)

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Como a Macbeth, — eu sei, as mãos manchadas Não tens de sangue: o coração teu puro Vai, vem; é como um pêndulo seguro; Passam-lhe as horas calmas, sossegadas.

Mas quando beijo as palmas delicadas Encontro aí sempre um ponto, um ponto escuro; E minhas esperanças sepultadas Na cova sua deixo, e o meu futuro.

Que dor profunda dentro em mim eu sinto, Ao vê-la e ouvi-la, alheado, inquieto, absorto! Digo-lhe então: — Tu crês, talvez, que minto?

E ri: porém com tanto desconforto Que o riso tem a cor de um riso extinto, E é túmulo o seu lábio, e o riso um morto...