Versos Portuguese Luís Delfino Mocidade velha

Portuguese poem

Mocidade velha

by (1834–1910)

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Estás tão velha, ó jovem minha amada! Quando os sonhos nos vão pela corrente São como as folhas secas, e igualmente Água os leva, cantando e descuidada.

Como sem cordas lira desmontada, Oco tronco esgalhado, e já pendente, Como sombra que deixa o sol no poente, A nossa vida é festa abandonada.

Cada passada é numa sepultura, Onde está podre tudo que é quimera: Nem há mais para dar-lhe a formosura.

Não ri a primavera que nos ria. A pedra dura é cada vez mais dura, A terra fria é cada vez mais fria.