Portuguese poem
Molle tarentum
by Luís Delfino (1834–1910)
Quid latet...? Horácio — Carmen
Não dá Tarento mais alguém que surta: Tarde acorda, e em vil ócio esmói a sesta; A vida breve a torna inda mais curta; E dos homens, que teve, homem não resta.
Os de hoje! aí stão: Cabelo sobre a testa, Que ao rosto oval a curva branca furta; Cara de efebo, e em todo um cheiro a murta, Como o olhar de uma deusa armado em festa.
Borzeguins cor de rosa, e fitas verdes, Túnica fina, transparente, vasta... Não os olheis, por Hebe, é vos perderdes;
Virgens do Lácio, ouvi: isto vos basta: Fugi, para em vós só beijando verdes A casta luz do sol em luz mais casta.