Portuguese poem
Navio em perigo
by Luís Delfino (1834–1910)
Saímos do colégio à tarde. O sol caía Entre esqueletos de oiro e corpos de guerreiros, Por átrios, penetrais, e os fumos derradeiros De um incêndio, que em torno o vasto céu enchia.
E um corvo negro ali de súbito surgia, E ia apagando o fogo e os colossais braseiros, Num bater de asas surdo e lento de pampeiros: Delas a sombra dura as serras envolvia.
Nós, crianças em bando, umas tímidas corças, Queríamos medir no mar as nossas forças: Mas em frente ao tufão de pé o mar bravio
Vaga e vaga arrojava em cima da procela; Quando vimos, a rir, — sem rumo, e leme, e vela, Gemer, no fundo, ao longe, a sombra de um navio...