Portuguese poem
Niobe
by Luís Delfino (1834–1910)
Via-a sempre. — Era um anjo fulminado, Ou num longínquo exílio uma princesa; E seu rosto comprido e desmaiado Cobria o véu duma mortal tristeza.
No velho e nobre busto esculturado Guardava o traço augusto da beleza, No olhar de aço brilhante a chama acesa, E o lábio, aos cantos, com desdém tirado.
Nas magras mãos, nos longos dedos tinha Veias grossas, azuis; o andar sereno: Do tronco um pouco já quebrada a linha.
O pé, calçado com primor, pequeno; Boa, com graves gestos de rainha, Que não quer mais reinar, nem quer mais reino...