Portuguese poem
Nicolò Machiavelli
by Luís Delfino (1834–1910)
Nicolò Machiavelli, ó sábio, ó poeta, Ó grande ébrio de amor e de verdade, Quando peso a tua obra, imensidade Rubra de luz de tua musa inquieta,
Ouço passar, como uma tempestade, Mundos e mundos, sóis e sóis, por meta Tendo o tempo encostado à eternidade: E quando penso que acabou, enceta
Novo abismo, e outros sóis, como um granizo, Mancham de novo o azul da curva alteada... Ao teu gênio em revolta era preciso
Essa áurea lira por um deus vibrada, Onde ao seu canto a lágrima diviso, Rompendo os sons de irônica risada...