Portuguese poem
Noite branca
by Luís Delfino (1834–1910)
A noite branca, a noite enluarada É tua irmã: Aonde ela dorme? Aonde? Em que astro canta? Em que lagoa nada? Em que pedaço azul do céu se esconde?
Em toda parte os vossos olhos ponde; Buscai a egípcia lúbrica e estrelada: Há quem seu ninho de águia negra sonde? Mar infiel, em teu seio anda enterrada?
Destino, foi assim que ma fizeste: Pairam-lhe os sóis aos pés em muda prece; Um peplo sideral seu corpo veste.
Donde vem tanta sombra então? Parece Que é toda luz a pérola celeste, E é dela que em minh’alma a noite desce.