Portuguese poem
O boi
by Luís Delfino (1834–1910)
Não espantara o Olimpo inda a temeridade De Prometeu; a vida era um problema escuro; Alcides não domara a Hidra, e a enormidade Do Centauro; ladrava o oceano ao palinuro.
Robusto como o leão, não tão nobre, é verdade, O boi de nossos pais já suportava o duro, Áspero jugo — bom, calmo, na austeridade De quem carrega o tempo e as messes do futuro.
Amo-o por isso; e quando ele ergue o corpulento Torso pela mudez glauca do vale, e afina O quadro o sol no ocaso — águia ferida em lento
Rolar, descer, cair — então parece a ruína De enorme construção, vetusto monumento, Do qual resta uma torre em pé, sobre a campina.