Portuguese poem
O canário do Antônio
by Luís Delfino (1834–1910)
Éramos três então e o crioulo: este devia Ser mais velho que nós, mas, como nós, viera, Donde nos vem flor, ninho, espaço, primavera, E o azul... o grande, o vasto azul que nos cobria.
Tinha um canário o escravo, um canário que enchia De luz sonora e ondeante a nossa casa austera: E ao entornar a manhã oiro e mais oiro à esfera, Fazia rir o céu, rir o sol, tudo ria.
Um dia o pobre Antônio, o corpo rijo e duro, Ficou na cama, e ao prego a gaiola no muro: Mas enquanto um cantava, o outro, o dono, morria...
Por um barquinho novo, alto, esbelto, atraído, Deixei ir, ébrio e imbele, o pássaro querido... E assim... foram-se os dois, e a primeira alegria.