Versos Portuguese Luís Delfino Non placet

Portuguese poem

Non placet

by (1834–1910)

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Quem o explica? — Ninguém: — e ninguém me consola. Estudo embalde livro e livro, e arraso o Oriente, E busco, em toda a esfinge, e em todo o culto, a mola Que abre e fecha, em segredo, os elos da corrente,

Que prende mundo a mundo, e cada mundo isola: Cada qual passa, como um pássaro fremente, Que em luta sai das mãos, que andam perenemente Acusando um titão, que os cria, alenta, e os rola.

Um deus talvez?... — Que deus, ó raça enferma e triste? Há quem afirme ou negue então que um deus existe? Se há deus, é noutros céus: — céus que outros céus percorrem

Se há deus, que não acabe, é por si deus proscrito, Fora da natureza, e fora do infinito, Que é só dos deuses que morrem, como os sóis morrem...