Portuguese poem
Moritura
by Luís Delfino (1834–1910)
É tarde, e sopra a viração tão forte! Vossa excelência expõe-se a algum sereno: Além disto, está úmido o terreno, E traz, diz o anexim, desculpa à morte.
— Obrigada, senhor; mas não se importe: Talvez cure um veneno outro veneno. Eu sou como o esvaído som de um treno Que, muito antes do fim, o leva o norte.
Acabando, tomou-a a tosse rouca, Levou ligeiramente o lenço à boca E manchado o tirou de um sangue rubro.
Riu-se e tornou: — Não viu a boa nova? Olhe, já ouço a enxada abrir-me a cova, E entre as névoas da morte o sol descubro.