Portuguese poem
Viver, esquecer
by Luís Delfino (1834–1910)
Viver, como Imortal no Olimpo esplendoroso, Sem tentar conhecer por um acerbo estudo Como tem fim o abismo, onde em cima andar ouso, Grande, em larga ebriez, em vasto êxtase mudo,
Impenetrável, sem saber que a vida iludo, Nem que há sombras no vale, a cuja paz me coso, Achar o riso, a flor, o cheiro, e azuis em tudo, Em tudo ter o belo, e resumi-lo em gozo:
Dos deuses eu quisera esta força, esta graça; O esquecimento só, o esquecimento apenas Do minuto que vibra a Hora alegre que passa;
Sentir sem ter jamais murchas as açucenas; Ver meter, sem jamais azinhavrar-se a taça. Nela as asas o amor, nela o beijo as antenas...