Versos Portuguese Luís Delfino Via smarrita

Portuguese poem

Via smarrita

by (1834–1910)

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Perdi-me, há pouco, em curvas do caminho, E achei-me, como Dante, em selva escura, Ante velhas sinistras de figura, Batendo, urdindo, desdobrando linho.

Sem surpresa, o olhar delas escarninho Furou-me, como pua o ferro fura: Tragava a teia o antro da espessura; Hirto fiquei ao ver-me ali sozinho...

Disse entre mim: — Que amplíssima mortalha!... Uma megera à outra uivou: — Trabalha! Pingava nisto o luar sutil fulgor.

Pensei: — Que morto irá naquele pano? Elas: — Tu, e contigo, e nele ao oceano O mundo extinto do teu grande amor.