Versos Portuguese Luís Delfino Velhice verdejante

Portuguese poem

Velhice verdejante

by (1834–1910)

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Noventa e tantos anos ela tinha, Sem ter as nuvens dessa grande idade: Guardara a força, a chama, a mocidade Da alma, que tanta gente perde asinha.

Viveu na paz da pérola marinha, Que ouve de longe o grito à tempestade, E foi da extensa vida à eternidade Como quem para um certo fim caminha.

Por ser magra, mais alta parecia; Era como uma seta na estatura: — Flexível, grácil, longa, reta, esguia.

Fora, em moça, de esplêndida brancura; E o áureo casco da trança, que a cobria, Levou consigo intacto à sepultura.