Portuguese poem
Uma confissão
by Luís Delfino (1834–1910)
Que eu não pensava em ti? Quem dizer ousa? Queres saber que fiz pelo caminho? Em doidas voltas uma mariposa Seguia a companheira: ao vento um ninho
Caiu piando: saltei a água, que pousa Por entre o jarro, o lírio, e o rosmaninho: Cada flor me falou de ti baixinho; E o céu não me falava doutra cousa.
Levava à boca o acre perfume e a nota Do último beijo; o cheiro do teu seio, E o de erva ali por nós pisado à grota,
Onde rasto deixara alguém, que veio Breve noite de amor já tão remota... Deuses?... não sei quem foi, dormir, — eu creio...