Portuguese poem
Um deus de rasto
by Luís Delfino (1834–1910)
Foras minha sultana favorita, Mas em ti só eu tendo o meu serralho Sendo de todas sempre a mais bonita, Não me deras na escolha algum trabalho.
Em teu cálix de neve o branco orvalho Bebera, ó lírio, que esta terra habita: Vales os sóis da abóbada infinita, E o pó, que pisas, para ti não valho...
Fosse eu um Lear, rei inda que louco, Vulcano, um deus inda que coxo, a troco Do que tenho a viver; — rei, deus, sim! eu
De rasto, humilde, curvo, ao chão bem rente, Tu me negaras desdenhosamente O lamber-te um dos pés, como um lebreu...