Portuguese poem
Ubi natus sum
by Luís Delfino (1834–1910)
Na rua Augusta, em Santa Catarina, A cama em cima duns pranchões de pinho, Aí nasci, foi aí o humilde ninho De uma criatura mórbida e franzina.
Nos fundos de uma loja pequenina, O lençol branco a arder na luz do linho, Da minha mãe, da minha mãe divina Tive o primeiro tépido carinho.
Meu pai foi sempre a honra em forma humana, Tinha a virtude máscula e romana, Não era austero só, era feroz.
Trabalhava incessante, noite e dia, Como um leão seu antro defendia, E era uma pomba para todos nós...