Portuguese poem
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by Luís Delfino (1834–1910)
Viver é ter sofrido só: convenho: Ou de Procusto a dor haurir no leito, Ou ir subindo ao Gólgota, suspeito De um crime, — a vida, ao ombro o ignóbil lenho.
Pouco espaço ocupei na terra, e tenho Intacto o orgulho disso: com efeito, Conservo puro dentro do meu peito Ter sido o bem o meu maior emprenho.
Superior ao destino, acaso, ou sorte, Que a folha seca por azuis espalma, Meu tamanho há de só medi-lo a morte.
Guardo entretanto uma ampla e funda calma, Sem que a calúnia, e a inveja, e o ódio me importe, Todos tendo a estatura de sua alma...