Portuguese poem
Tudo é passado
by Luís Delfino (1834–1910)
Há em mim, há em ti um desgraçado, O que vive e não vive: em vão forcejo Por ver durar alguma cousa; vejo Que em relâmpagos o mundo é arrastado.
Minuto em breve raio iluminado, Um beijo dado; — o que ficou do beijo? O beijo não: recordação, desejo De dar outro, que morre apenas dado.
Uma boca de sombra engole tudo; Rumor de pranto, endechas de alegria Vêm, já deixando em torno o espaço mudo.
Como se esvai uma hora de agonia, O fio de oiro, ai! rompe em soído agudo, E acaba... acaba o mais formoso dia!...