Portuguese poem
Tal está morta
by Luís Delfino (1834–1910)
Abriu a boca, e a rúbida golfada, Que do seu peito exausto então rompia, Desmanchava-se em rosas da alvorada De um sol cor do lençol, que a cobriria.
Ofélia aflita sob a vaga fria, Quebrando a nota da canção cantada; Desdêmona no leito, amante e amada, Idas? por quê? tão de repente um dia...
Dante e Beatriz, Romeu e Julieta, Laura e Petrarca, Sanzio e Fornarina, A coorte no céu, do amor eleita,
Guardam-na às portas da mansão divina, Enquanto um anjo as asas brancas deita De manso ao rosto, que ela ao colo inclina.