Versos Portuguese Luís Delfino Uma dificuldade

Portuguese poem

Uma dificuldade

by (1834–1910)

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Roja-se ao esterquilínio, assim que amarga, o pomo; Corta-se ao galho em flor a rosa desmaiada; Mas ao amor, que acabou, ao amor já morto, como Se há de tirar à entranha, e arremessá-lo ao nada?

Do grão de areia a todo espaço azul, que domo A um gesto meu, bastava, a tinha encadeada: Por testemunho disto, alma que foste amada, A ti, ao próprio céu, e aos sóis, e aos deuses tomo.

A ti mesma de mim é bem fácil pôr fora; Mas do teu corpo o gosto, o saibo delicioso Dos beijos teus de dia, e desde a noite à aurora,

Que me cobriu de um velho e áureo musgo de gozo, Vício e luz do meu sangue enfim, como hei de agora Arrancá-lo, sem ir o coração? — Não ouso.