Portuguese poem
Vã tentativa
by Luís Delfino (1834–1910)
Com que chave eu abri aquela pedra fria De um morto coração? Onde a achei? Foi preciso Ter perdido a razão, ter perdido o juízo. Ir ao fundo do mar, e encontrá-la? — Seria?
Foi, como foi. — Passai, vós, que a quereis. — Um dia Ela acabou meu sonho, e continuou meu riso, Deu mais oiro ao azul, pouco ao meu paraíso; Sua alegria fez cantar minha alegria...
Fora empresa infeliz se agora alguém tentasse Limpar o eco dos meus lábios na sua face... Quereis lutar? Descei, deuses; vinde: eu desejo.
Mas sabei que embrulhado inda em tufões o oceano, Passando e repassando ano e ano após ano, Não lhe lava um sinal, que pôs nela o meu beijo...