Portuguese poem
A peregrinação d'hum pensamento
A peregrinação d'hum pensamento, Que dos males fez hábito e costume, Tanto da triste vida me consume, Quanto cresce na causa do tormento.
Leva a dor de vencida ao soffrimento; Mas a alma está, de entregue, tão sem lume, Qu'enlevada no bem que haver presume, Não faz caso do mal qu'está de assento.
De longe receei (se me valêra) O perigo que tanto á porta vejo, Quando não acho em mi cousa segura.
Mas ja conheço, (oh nunca o conhecêra!) Qu'entendimentos presos do desejo Não tẽe remedio mais que o da ventura.