Portuguese poem
A perfeição, a graça, o doce geito
A perfeição, a graça, o doce geito, A Primavera cheia de frescura, Que sempre em vós florece; a que a ventura, E a razão entregárão este peito;
Aquelle crystallino e puro aspeito, Que em si comprehende toda a formosura; O resplandor dos olhos e a brandura, Donde Amor a ninguem quiz ter respeito;
S'isto que em vós se vê, ver desejais, Como digno de ver-se claramente, Por muito que de Amor vos isentais;
Traduzido o vereis tão fielmente No meio deste espirito onde estais, Que vendo-vos sintais o que elle sente.