Portuguese poem
Acho-me da fortuna salteado
Acho-me da fortuna salteado; O tempo vai fugindo presuroso, Deixando-me da vida duvidoso, E cada instante mais desesperado.
Trocou-se o meu descuido em tal cuidado, Que donde a gloria he mais, he mais penoso. Nem vivo de perder-me receoso, Nem de poder ganhar-me confiado.
Qualquer ave nos montes mais agrestes, Qualquer fera na cova repousando, Tẽe horas de alegria: eu todas tristes.
Vós, saudosos olhos, que o quizestes, (Pois com tormento Amor me está pagando) Chorai, como que vêdes, o que