Portuguese poem
Contente vivi já, vendo-me isento
Contente vivi já, vendo-me isento deste mal, de que a muitos queixar via. Chamam-lhe amor; mas eu lhe chamaria discórdia e sem-razão, guerra e tormento.
Enganou-me co nome o pensamento (quem com tal nome não se enganaria?); agora tal estou que temo um dia, em que venha a faltar-me o sofrimento.
Com desesperação e com desejo me paga o que por ele estou passando; e inda está do meu mal mal satisfeito.
Pois sobre tantos danos inda vejo, para dar-me outros mil, um olhar brando, e para os não curar um duro peito.