Portuguese poem
Como fizeste, ó Porcia, tal ferida?
Como fizeste, ó Porcia, tal ferida? Foi voluntaria, ou foi por innocencia? He que Amor fazer só quiz exp'riencia Se podia eu soffrer tirar-me a vida.
E com teu proprio sangue te convida A que faças á morte resistencia? He que costume faço da paciencia, Porque o temor morrer me não impida.
Pois porque estás comendo fogo ardente, Se a ferro te costumas? He que ordena Amor que morra, e pene juntamente.
E tẽes a dor do ferro por pequena? Si; que a dor costumada não se sente; E não quero eu a morte sem a pena.