Portuguese poem
De amor escrevo, de amor trato e vivo
De amor escrevo, de amor trato e vivo; De amor me nasce amar sem ser amado; De tudo se descuida o meu cuidado, Quanto não seja ser de amor captivo:
De amor que a lugar alto voe altivo, E funde a gloria sua em ser ousado; Que se veja melhor purificado No immenso resplandor de hum raio esquivo.
Mas ai que tanto amor só pena alcança! Mais constante ella, e elle mais constante, De seu triumpho cada qual só trata.
Nada, em fim, me aproveita; que a esperança, Se anima alguma vez a hum triste amante, Ao perto vivifica, ao longe mata.