Portuguese poem
De cá, donde somente o imaginar-vos
De cá, donde somente o imaginar-vos A rigorosa ausencia me consente, Sôbre as azas de Amor, ousadamente O mal soffrido esprito vai buscar-vos.
E se não receára de abrazar-vos Nas chammas que por vossa causa sente, Lá ficára comvosco e, vós presente, Aprendêra de vós a contentar-vos.
Mas, pois que estar ausente lhe he forçado, Por senhora, de cá, vos reconhece, Aos pés de imagens vossas inclinado.
E pois vêdes a fé que vos offrece, Ponde os olhos, de lá, no seu cuidado, E dar-lhe-heis inda mais do que merece.