Portuguese poem
De quantas graças tinha a natureza
De quantas graças tinha a natureza Fez hum bello e riquissimo thesouro; E com rubis e rosas, neve e ouro, Formou sublime e angelica belleza.
Poz na boca os rubis, e na pureza Do bello rosto as rosas, por quem mouro; No cabello o valor do metal louro; No peito a neve, em que a alma tenho accesa.
Mas nos olhos mostrou quanto podia, E fez delles hum sol, onde se apura A luz mais clara que a do claro dia.
Em fim, Senhora, em vossa compostura, Ella a apurar chegou quanto sabia De ouro, rosas, rubis, neve e luz pura.