Portuguese poem
De tão divino accento em voz humana
De tão divino accento em voz humana, De elegancias que são tão peregrinas, Sei bem que minhas obras não são dinas; Que o rudo engenho meu me desengana.
Porém da vossa penna illustre mana Licor que vence as águas Caballinas; E comvosco do Tejo as flores finas Farão inveja á cópia Mantuana.
E pois, a vós de si não sendo avaras, As filhas de Mnemosine formosa Partes dadas vos tẽe ao mundo claras;
A minha Musa, e a vossa tão famosa, Ambas se podem nelle chamar raras, A vossa de alta, a minha de invejosa.