Portuguese poem
Ditoso seja aquelle que somente
Ditoso seja aquelle que somente Se queixa de amorosas esquivanças; Pois por ellas não perde as esperanças De poder n'algum tempo ser contente.
Ditoso seja quem estando ausente Não sente mais que a pena das lembranças; Porqu'inda que se tema de mudanças, Menos se teme a dor quando se sente.
Ditoso seja, em fim, qualquer estado, Onde enganos, desprezos e isenção Trazem hum coração atormentado.
Mas triste quem se sente magoado De erros em que não póde haver perdão Sem ficar na alma a mágoa do peccado