Portuguese poem
Doces lembranças da passada gloria
Doces lembranças da passada gloria, Que me tirou fortuna roubadora, Deixai-me descansar em paz hum'hora, Que comigo ganhais pouca victoria. Impressa tenho na alma larga historia Deste passado bem, que nunca fôra; Ou fôra, e não passára: mas ja agora Em mi não póde haver mais que a memoria. Vivo em lembranças, morro de esquecido De quem sempre devêra ser lembrado, Se lhe lembrára estado tão contente. Oh quem tornar pudéra a ser nascido! Soubera-me lograr do bem passado, Se conhecer soubera o mal presente.