Portuguese poem
Doces e claras águas do Mondego
Doces e claras águas do Mondego, Doce repouso de minha lembrança, Onde a comprida e perfida esperança Longo tempo apos si me trouxe cego,
De vós me aparto, si; porém não nego Que inda a longa memoria, que me alcança, Me não deixa de vós fazer mudança, Mas quanto mais me alongo, mais me achego
Bem poderá a Fortuna este instrumento Da alma levar por terra nova e estranha, Offerecido ao mar remoto, ao vento.
Mas a alma, que de cá vos acompanha, Nas azas do ligeiro pensamento Para vós, águas, vôa, e em vós se banha.