Portuguese poem
Ja claro vejo bem, ja bem conheço
Ja claro vejo bem, ja bem conheço Quanto augmentando vou o meu tormento; Pois sei que fundo em água, escrevo em vento, E que o cordeiro manso ao lobo peço;
Que Arachne sou, pois ja com Pallas teço; Que a tigres em meus males me lamento; Que reduzir o mar a hum vaso intento, Aspirando a esse ceo que não mereço.
Quero achar paz em hum confuso inferno; Na noite do sol puro a claridade; E o suave verão no duro inverno.
Busco em luzente Olympo escuridade, E o desejado bem no mal eterno, Buscando amor em vossa crueldade.