Portuguese poem
Mil vezes determino não vos ver
Mil vezes determino não vos ver, Por ver se abranda mais o meu penar: E se cuido de assi me magoar, Cuidai o que será, se houver de ser.
Pouco me importa ja muito soffrer, Despois que Amor me poz em tal lugar; E o que inda me doe mais he só cuidar, Que mal sem esta dor posso viver.
Assi não busco eu cura contra a dor, Porque, buscando alguma, entendo bem Que nesse mesmo ponto me perdi.
Quereis que viva, em fim, neste rigor? Somente o querer vosso me convem. Assi quereis que seja? Seja assi.