Portuguese poem
Lua Nova[26]
Mãe dos fructos, Jacy, no alto espaço Eil-a assoma serena e indecisa: Sopro é della esta languida brisa Que sussurra na terra e no mar. Não se mira nas aguas do rio, Nem as ervas do campo branqueia; Vaga e incerta ella vem, como a ideia Que inda apenas começa a espontar.
E iam todos; guerreiros, donzellas, Velhos, moços, as redes deixavam; Rudes gritos na aldeia soavam, Vivos olhos fugiam p'ra o céu: Iam ve-la, Jacy, mãe dos fructos, Que, entre um grupo de brancas estrellas, Mal scintila: nem póde vencel-as, Que inda o rosto lhe cobre amplo véu.
E um guerreiro: «Jacy, doce amada, Retempera-me as forças; não veja Olho adverso, na dura peleja, Este braço já frouxo cair. Vibre a setta, que ao longe derruba Tajassú, que roncando caminha; Nem lhe escape serpente damninha, Nem lhe fuja pesado tapir.»
E uma virgem: «Jacy, doce amada, Dobra os galhos, carrega esses ramos Do arvoredo co'as frutas que damos Aos valentes guerreiros, que eu vou A buscal-os na mata sombria, Por trazel-os ao moço prudente, Que venceu tanta guerra valente, E estes olhos consigo levou.»
E um ancião, que a saudara ja muitos, Muitos dias: «Jacy, doce amada, Dá que seja mais longa a jornada, Dá que eu possa saudar-te o nascer, Quando o filho do filho, que hei visto Triumphar de inimigo execrando, Possa as pontas de um arco dobrando Contra os arcos contrarios vencer.»
E elles riam os fortes guerreiros, E as donzelas e esposas cantavam, E eram risos que d'alma brotavam, E eram cantos de paz e de amor. Rude peito criado nas brenhas, --Rude embora,--terreno é propicio; Que onde o germen lançou beneficio Brota, enfolha, verdeja, abre em flôr.